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Altamira sedia 5ª edição do Chocolat Xingu com sabores do cacau nativo

Evento reúne produtores e chefs para celebrar a cadeia produtiva do cacau paraense com degustações e debates sobre o setor.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 483 palavras
Mesas repletas de tabletes de chocolate artesanais expostos durante evento em Altamira.
Evento reúne produtores e chefs para celebrar a cadeia produtiva do cacau paraense com degustações e · Foto: Redação Nortícia

O aroma de cacau tostado toma conta do ar condicionado do Centro de Eventos Vilmar Soares antes mesmo de a porta se abrir. É um cheiro denso, de terra quente e de amêndoa que saiu do sol direto para a barra, sem intermédios. Em Altamira, no coração do Xingu, esse perfume anuncia que a quinta edição do Chocolat Xingu começou: é a festa where o fruto deixa de ser mercadoria de exportação para virar experiência de palato.

O Chocolat Xingu não é apenas uma feira de doces. É a vitrine de uma região que aprendeu a calibrar o ponto exato da fermentação e da secagem para competir com os melhores do mundo. Aqui, o chocolate não é o cacau em pó açucarado do supermercado; é uma barra de 70%, às vezes 85%, que derrete na língua revelando notas de madeira e frutas do bosque, resultado das castanheiras que dão sombra aos cacaueiros na Transamazônica.

Nas mesas de exposição, dona Sebastiana, produtora de Medicilândia — município que ostenta o título de maior produtor nacional — explica a diferença entre o nibs crocante e a manteiga que ela fabrica na pequena agroindústria da família. Há 20 anos, ela via o cacau ser vendido a preços baixos para atravessadores; hoje, com a ajuda de técnicas de beneficiamento, ela coloca o selo "Medicilândia" no próprio tablete. O trabalho transformou a renda da família e a autoestima da comunidade.

A força produtiva da região chamou atenção internacional. O Pará saiu do mapa apenas da extração para entrar no roteiro do chocolate bean-to-bar (do grão à barra). A的转变 não foi apenas técnica, mas cultural. O agricultor familiar passou a ser também artesão, guardião de um sabor que conta a história da floresta em cada mordida.

Estudiosos da cadeia produtiva afirmam que o microclima do Xingu, com alternância entre chuvas e sol forte, confere ao cacau da região uma complexidade de sabores rara. Não é toa que chefs de cozinha paraenses têm recorrido aos produtos locais para substituir importações em suas sobremesas, resgatando a identidade culinária do estado através do próprio fruto que a terra oferece.

O evento, que vai até o domingo (14), reúne mais de 100 expositores. Além das barras artesanais, é possível encontrar geleias de cacau, mel de cacau e uma infinidade de derivados. A programação mistura a gastronomia com o formativo: há debates sobre o futuro do setor, troca de sementes entre agricultores e demonstrações de como fazer a sua própria barra em casa.

Quem for até lá, prepare o estômago e a solidariedade. A entrada é gratuita, mas o pedágio para entrar no mundo do chocolate paraense é 1 kg de alimento não perecível, que será doado para instituições filantrópicas da cidade.

O Chocolat Xingu acontece no Centro de Eventos Vilmar Soares, em Altamira, desta quinta-feira (11) até o domingo (14). A porta abre às 10h e a ladainha dos sabores vai até as 20h.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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