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Facção Tren de Aragua mantém cemitério clandestino em área de mata em Roraima

Polícia Civil encontrou nove corpos de vítimas venezuelanas em Boa Vista; depoimento de olheiro liga crimes à organização classificada como terrorista pelos EUA.

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Diego Câmara
Roraima · AM
10 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 499 palavras
Equipe de perícia forense trabalha em área de mata na zona rural de Boa Vista durante investigação de cemitério clandestino.
Polícia Civil encontrou nove corpos de vítimas venezuelanas em Boa Vista; depoimento de olheiro liga · Foto: Redação Nortícia

No início de 2025, a Polícia Civil de Roraima localizou um cemitério clandestino em uma região de mata fechada na zona rural de Boa Vista. A equipe de perícias encontrou enterrados no local ao menos nove cadáveres em diferentes estados de decomposição. Segundo o laudo preliminar, a maioria das vítimas é de nacionalidade venezuelana. As investigações indicam que os corpos foram depositados no local após a prática de homicídios cometidos por integrantes de organizações criminosas que disputam o controle de rotas na fronteira.

A descoberta do local ocorreu após uma operação de inteligência baseada no depoimento de uma testemunha chave. A venezuelana, que residia irregularmente em Boa Vista, atuava como olheiro para a facção Tren de Aragua. Em depoimento à delegacia especializada, ela relatou ter sido coagida a revelar o paradeiro dos corpos sob ameaça de morte, após o sequestro de familiares por membros do grupo. O inquérito policial, instaurado para apurar os crimes, aponta para a prática de execuções sumárias como método de 'justiça' interna da organização ou punição a dívidas não pagas.

A facção Tren de Aragua, originária da prisão de Tocorón, no centro-norte da Venezuela, expandiu suas operações além das fronteiras do país vizinho. Em Roraima, a organização criminosa consolidou presença em ao menos quatro municípios, atuando principalmente no controle de pontos de venda de drogas, exploração de migrantes em situação de vulnerabilidade e roubos de cargas. A estrutura hierárquica do grupo na capital roraimense foi mapeada pela Polícia Federal em investigações recentes que apontam a conexão direta com comandantes situados em Caracas.

A expansão do Tren de Aragua na região amazônica ganhou proporção internacional no ano passado. O governo dos Estados Unidos, através de decreto presidencial assinado por Donald Trump, classificou a organização como grupo terrorista estrangeiro. A designação classifica a facção no mesmo patamar de organizações extremistas globais e autoriza o bloqueio de ativos financeiros, além de viabilizar a extradição de líderes capturados. Para as autoridades de Roraima, a medida tende a fortalecer o intercâmbio de inteligência entre a PF e agências americanas, como o DEA.

Em resposta à escalada de violência, o governo de Roraima ativou no último quadrimestre o Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira. A estratégia prevê o aumento no efetivo da Polícia Militar nas áreas de garimpo e nas rodovias federais BR-174 e BR-210, principais vias de acesso utilizadas pelos migrantes e pelo fluxo ilícito. Dados da secretaria indicam um aumento de 35% nas prisões por tráfico de entorpecentes nos municípios de Pacaraima e Normandia nos últimos três meses.

O inquérito que apura a existência do cemitério clandestino segue sob segredo de justiça na 1ª Vara Criminal de Boa Vista. A defesa dos investigados, que ainda não foi formalmente constituída nos autos, será intimada a apresentar resposta aos indícios levantados pela acusação. Enquanto a perícia finaliza a identificação das vítimas por DNA, a comunidade venezuelana em Boa Vista permanece em estado de alerta, registrando aumento na demanda de pedidos de refúgio em decorrência de perseguições ligadas ao crime organizado transnacional.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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