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Tocantins suspende vacina de dengue do Butantan após alerta federal

Estado paralisou aplicação após Ministério da Saúde investigar reações adversas graves e óbitos em outros estados.

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Ananda Rocha
Tocantins · AM
09 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 636 palavras
Paciente aguarda na fila da Unidade Básica de Saúde 302, em Palmas.
Estado paralisou aplicação após Ministério da Saúde investigar reações adversas graves e óbitos em o · Foto: Redação Nortícia

Dona Francisca das Dores, 52 anos, estava com a carteirinha de vacinação na mão na porta da UBS 302, no Plano Diretor Sul, em Palmas. Chegou às 6h30, tomou café fraco em casa para não passar mal e deixou o almoço pronto na geladeira. Mas a segunda dose da vacina contra a dengue não veio hoje. Na triagem, a agente de saúde informou que a aplicação foi suspensa em todo o Tocantins por determinação federal.

Ela não é a única. Na fila, mais cinco pessoas foram dispensadas com a mesma orientação: voltar para casa e aguardar. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) confirmou a suspensão ontem (9). O motivo é uma nota técnica conjunta do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Eles pediram uma pausa nacional após a investigação de dois óbitos e 42 casos de reações adversas graves em pessoas que tomaram o imunizante do Instituto Butantan.

No Tocantins, o impacto é imediato. Até o dia 30 de maio, o estado já tinha aplicado 12.266 doses. A estratégia era imunizar grupos específicos, e muitos já haviam marcado o retorno. "A gente entende a precaução, mas a dúvida fica. Eu tomei a primeira, tô protegida ou tô de perigo?", pergunta dona Francisca, que é diabética e se preocupa com o agravamento de casos da dengue no calor.

A insegurança é o que está tomando conta dos postos de saúde. A enfermeira Carla Mendes, que trabalha na atenção básica de Palmas, diz que o telefone da unidade não para de tocar desde a notícia. "É gente perguntando se precisa ir para o hospital preventivamente. O trabalho agora é acalmar. A orientação é que a gente só volte a vacinar quando o Ministério liberar o lote ou a nova estratégia", explica Carla. Na sala de espera, o assunto único é a eficácia da primeira dose já aplicada.

Segundo a pasta, aqui no estado não foram registrados, até agora, os casos graves que motivaram o alerta nacional. As notificações feitas à SES-TO apontam apenas para eventos adversos leves — dor no local da aplicação, febre baixa e mal-estar. Reações que já estão descritas na bula e eram esperadas pela vigilância sanitária.

O imunizante em questão é o Butantan-DV. O problema apontado pelas investigações preliminares é um risco aumentado de dengue grave em pessoas que nunca tiveram a doença antes e tomaram a vacina. Por isso, o Ministério da Saúde resolveu revisar os critérios de uso do produto. A meta é garantir que o benefício continue maior que o risco. No país, foram aplicadas 500 mil doses até o último dia 30.

Enquanto o laudo técnico sai, a vida nas cidades segue o ritmo. Jéssica Souza, 29 anos, estava na UBS para tirar dúvidas sobre a vacinação do filho de 10 anos. "A gente fica sem saber. O medo agora é a vacina ou a dengue?", comenta. A dúvida reflete a confiança abalada de quem via no imunizante a saída para um ano de epidemia forte.

A Secretaria de Saúde informou que todos os casos suspeitos de evento adverso notificados no Tocantins seguem em análise minuciosa. O governo federal deve definir nos próximos dias se a suspensão se torna definitiva ou se haverá mudança no público-alvo.

Quem já tomou a primeira dose e sentir sintomas de dengue nos próximos dias — febre alta, dor atrás dos olhos, manchas na pele — deve procurar a unidade de saúde mais próxima e informar que foi vacinado recentemente. O monitoramento agora é redobrado para evitar casos severos passarem despercebidos.

A SES-TO promete atualizar a população assim que o Ministério da Saúde enviar um novo protocolo. Enquanto isso, a recomendação continua sendo a mesma de sempre: eliminar focos do mosquito Aedes aegypti. No quintal e no lixo, é onde a prevenção realmente acontece enquanto a vacina não volta.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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