Advogado é arrastado por redemoinho em cachoeira em Presidente Figueiredo
Advogado que já conhecia o local conta que a correnteza da Cachoeira do Mutum o puxou para o fundo duas vezes; resgate foi feito por um amigo.
Adriano Cordeiro, 38 anos, empresário e advogado, flutuava tranquilamente na Cachoeira do Mutum, em Presidente Figueiredo, a 107 km de Manaus. Ele já conhecia o percurso, entre duas boias, e se sentia seguro na água. Em questão de segundos, a força da correnteza mudou tudo.
"Esse redemoinho me levou para baixo, para o fundo, duas vezes. Foi tudo tão rápido. Mesmo eu sabendo nadar muito bem, eu não consegui sair. Cheguei a pensar que ia morrer", relatou Adriano em vídeo publicado nas redes sociais na última segunda-feira (8). O susto aconteceu durante um passeio no domingo. O que seria um lazer de fim de semana virou um momento de pânico. Só não terminou em tragédia por causa da ação rápida de um amigo que estava na margem e conseguiu puxá-lo de volta para a superfície.
Presidente Figueiredo é o município das cachoeiras. A região atrai turistas todos os finais de semana em busca de rios, praias fluviais e águas cristalinas. A Cachoeira do Mutum fica na margem da estrada AM-240 e é uma das mais procuradas, conhecida pela facilidade de acesso e a paisagem de floresta densa. Mas o encanto esconde riscos que a própria natureza impõe, mudando conforme o nível do rio e a força da chuva na cabeceira.
O caso do advogado chama atenção para um erro comum: a confiança excessiva na familiaridade com o local. Adriano contou que já tinha feito o mesmo trajeto de nado outras vezes sem problemas. "Não foi a primeira vez que eu fui à Cachoeira do Mutum. Esse mesmo trajeto, de nadar na frente da cachoeira de uma boia para outra, eu já tinha feito outras vezes", disse. O objetivo era pegar uma correnteza suave para levar até a outra boia, mas o que ele encontrou foi um redemoinho potente.
Segundo especialistas em salvamento aquático, redemoinhos se formam em áreas de maior profundidade próximo a quedas d'água e podem surgir subitamente, criando uma sucção que vence a força de braços de até os melhores nadadores. A orientação básica é evitar nadar diretamente na queda d'água e, se for pego pela correnteza, não lutar contra ela diretamente, mas tentar nadar perpendicularmente.
A prefeitura de Presidente Figueiredo e o Corpo de Bombeiros constantemente reforçam as orientações de segurança na época de cheia dos rios, que aumenta o volume d'água e a força das correntes. As principais regras são: não nadar sozinho, não consumir álcool antes de entrar na água e respeitar a sinalização de áreas proibidas. Muitas cachoeiras da região não possuem serviço de salva-vidas fixo ou sinalização subaquática de buracos.
Para quem pretende visitar as cachoeiras do Amazonas neste fim de semana, a recomendação é ficar atento ao comportamento da água. Se sentir correnteza forte, mudança na cor do rio para um tom mais escuro ou barulho diferente na queda, saia imediatamente. Em caso de acidentes aquáticos em Presidente Figueiredo, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo número 193.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



