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Nortícia CidadesAlerta de abastecimento

Manutenção na EAB Utinga afeta abastecimento em 21 bairros de Belém

Intervenção da Cosanpa prevê corte total em áreas como Marco e redução na pressão em bairros centrais a partir das 7h desta quarta.

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Ananda Rocha
Pará · AM
09 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 700 palavras
Caixa d'água vazia em residência do bairro do Marco durante dia de sol em Belém.
Intervenção da Cosanpa prevê corte total em áreas como Marco e redução na pressão em bairros centrai · Foto: Redação Nortícia

Dona Lúcia Ferreira, 58 anos, moradora da Travessa Quatorze de Março, no bairro do Marco, acordeou às 5h com uma missão: garantir que a caixa-d'água do quintal estivesse transbordando. Ela sabe que, a partir das 7h desta quarta-feira, a torneira vai ficar seca na casa dela e em outras seis áreas da capital paraense. A manutenção eletromecânica emergencial na Estação de Água Bruta (EAB) Utinga é a culpada por mais uma madrugada de alarmes nos bairros de Belém.

A intervenção da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) não é pequena. Vai atingir 21 bairros no total, divididos entre quem perde o fornecimento de vez e quem vê a água diminuir para um fio. Na lista do corte total estão os bairros Marco, Curió-Utinga, Souza, Canudos, São Brás e Fátima, além dos conjuntos Império Amazônico e Amapá. Lá fora, o sol já começa a apertar, e a perspectiva de um dia sem encanamento funcionando muda a rotina de milhares de famílias.

"Se já é ruim quando cai um pouco, imagina parar tudo", diz Lúcia, enquanto empilha baldes plásticos azuis na varanda. "Tenho neto pequeno, precisa de água para banho, para comida. A gente corre contra o tempo quando anunciam isso." No bairro do Curió-Utinga, a situação é semelhante. A proximidade com a estação que será reparada não livra os moradores do transtorno. Pelo contrário, é ali que o impacto do desligamento da bomba costuma ser sentido primeiro na pele.

Para quem vive nos bairros do Comércio, Campina, Cidade Velha, Reduto, Batista Campos, Jurunas, Umarizal, Nazaré, Pedreira, Guamá, Cremação e Condor, o cenário é de redução temporária. A água deve continuar saindo, mas com pouca pressão. Em uma cidade úmida e quente como Belém, a baixa pressão é quase sinônimo de falta: chuveiro elétrico não funciona, máquinas de lavar entram em pane e o tanque demora horas para encher.

Seu Raimundo Nonato, 62 anos, trabalha em uma padaria tradicional na Cidade Velha, perto da Praça da Sé. Ele conta que a redução no abastecimento no Centro antigo quase sempre significa mudar a estratégia de limpeza do comércio. "Vamos ter que economizar na lavagem do chão. O dono já avisou que pra lavar a calçada só depois das 18h, se voltar. Água é ouro, ninguém pode desperdiçar, principalmente quando a gente paga uma conta cara todo mês."

O comunicado oficial da Águas do Pará, responsável pela divulgação, é técnico e otimista. O serviço, segundo a nota, tem como objetivo "promover melhorias para garantir mais segurança e confiabilidade ao sistema de abastecimento". A promessa é de que os trabalhos sejam concluídos até o final da manhã de quarta. Depois disso, o sistema volta a operar gradativamente até a normalização completa.

Mas a "normalização" é um termo relativo. Moradores do Conjunto Império Amazônico relatam que, mesmo após o retorno da operação, a água costuma chegar barrenta nos primeiros minutos. "É uma dor de cabeça, parece que vem terra do fundo do poço", reclama Maria Helena, 34 anos, auxiliar de serviços gerais. Ela mora na rua 3 do Conjunto e já deixou separados garrafões de reserva para o almoço dos filhos.

A manutenção na EAB Utinga é um procedimento necessário, mas expõe a fragilidade de um sistema que depende de uma grande estação central para abastecer uma fatia gigante da cidade. Quando o motor para, o efeito cascata atinge tanto a zona periférica do Marco quanto o comércio turístico da Cidade Velha.

A concessionária orienta a população a armazenar água com antecedência para consumo básico. Para quem tem reservatório domiciliar, o segredo é fechar o registro assim que a água baixar para evitar que a sujeira da rede entre quando o fluxo retornar. A recomendação técnica é simples, mas exige atenção de quem está acostumado a abrir a torneira e esquecer.

Enquanto as equipes da Cosanpa terminam o reparo nas bombas da Utinga, o jeito é improvisar. Reclamações sobre atraso no retorno do fornecimento ou sobre a qualidade da água após a manutenção podem ser feitas diretamente pela Central de Atendimento da Cosanpa no número 115. O canal funciona 24 horas e registra a ocorrência por protocolo — a única garantia de que o problema saiu do portão e entrou na fila de soluções da concessionária.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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