Estudantes atravessam Rio Iaco de canoa após ponte cair em Sena Madureira
Com a queda da ponte Frei Paolino Baldassari, alunos do Segundo Distrito usam catraia sem segurança para chegar à escola.
Rikelmi Costa de Souza, 18 anos, desce o porto do Segundo Distrito de Sena Madureira com a mochila nas costas. Onde antes tinha a ponte Frei Paolino Baldassari, agora existe um buraco de quase 50 metros sobre o Rio Iaco. Ele não para para olhar o tempo perdido: entra na catraia de madeira, apertado com mais nove colegas, e atravessa para a outra margem, onde fica a escola. Não tem colete salva-vidas, e a água bate fraca na borda do barco.
A travessia virou rotina desde que a estrutura caiu. No vídeo que Rikelmi gravou e que correu nas redes sociais, dá para ver o nervosismo na voz dele. "Indo para a escola pela primeira vez depois que a ponte caiu", ele narra enquanto a canoa ganha o meio do rio. "Minha casa fica perto da ponte e vamos atravessar de catraia".
O problema não é só a queda da ponte. É a falta de alternativa segura. A catraia é pequena, feita para transporte leve, não para carregar uma turma inteira de estudantes de uma vez só. Nas imagens, a água entra aos poucos na embarcação. Um movimento brusco e todos caem. "A canoa vai afundar?", alguém pergunta no fundo, e o som do motor de popa tenta abafar o medo.
Enquanto a primeira leva faz o trajeto de uns dez minutos, o resto fica na areia do porto. O sol de Sena Madureira nesta época do ano aperta. Rikelmi mostra os colegas que ficam esperando a embarcação voltar para buscar a próxima turma. É tempo de aula que escorre pelo suor, fora o risco de ficar sem transporte se o rio encher demais — coisa comum no Acre.
A ponte ligava o Segundo Distrito diretamente à sede da cidade. Com ela interditada e depois desabada, o caminho virou obstáculo. Moradores contam que a estrutura já dava sinais de alerta, com trincas e buracos, antes de cair. Agora, o rio é a única estrada para quem não tem tempo de dar uma volta enorme por estradas vicinais de terra.
A Nortícia procurou a Prefeitura de Sena Madureira e o Governo do Acre para saber sobre a construção de uma nova ponte ou a liberação de uma balsa com segurança para o transporte escolar. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta oficial sobre o cronograma de obras ou o apoio emergencial aos estudantes.
Enquanto o oficial não sai, o risco continua. A educação fica refém da logística, e a catraia improvisa escolar. Para resolver isso, é fiscalização da Prefeitura e pressão no canal de atendimento. Moradores do Segundo Distrito podem registrar reclamações na ouvidoria municipal ou solicitar providências à Secretaria de Educação, exigindo um transporte que garanta a chegada com vida, e não apenas no horário.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



