Arsepam abre inscrições para embarcações no Festival de Parintins
Operadores de transporte alternativo têm até 15 de junho para pedir autorização temporária e garantir viagens seguras na rota Manaus-Parintins.
Seu Raimundo Nonato, 54 anos, está com as calças de tecido listrado enroladas até os joelhos, pés na lama do Igarapé do Educandos, zona Sul de Manaus. Ele encera a madeira do "Recreio Minha Gente", sua embarcação de 12 metros. O motor a diesel está limpo, as poltronas de plástico foram reinstaladas, mas falta o principal para o mês que vem: a papelada que libera o acesso ao porto de Parintins.
"A gente quer levar a alegria da gente, o sustento da família, mas não pode correr risco de multa lá na frente", diz Raimundo, enquanto passa pano na tinta verde da proa. Ele precisa correr contra o tempo para cumprir as exigências do Edital de Chamamento Público Emergencial nº 002/2026.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam) abriu as inscrições nesta terça-feira, 9. O prazo apertado vai até o dia 15 de junho. A autorização é a chave para que operadores do subsistema alternativo — aqueles barcos que complementam as linhas regulares — possam fazer o fretamento na rota Manaus–Parintins–Manaus durante os dias do festival.
No cais do São Raimundo, o movimento já começa a esquentar. Dona Francisca Souza, que vende marmitas para os tripulantes, nota a ansiedade nos proprietários. "O pessoal tá preocupado se a documentação do barco vai caber no prazo da Arsepam. É muita correria para tirar seguro, vistoria da Marinha, tudo junto", conta ela, enquanto empacota o almoço do dia.
A medida da agência mira um problema antigo: a disparada da demanda num curto período de tempo. Quando o "Boi Garantido" e o "Boi Caprichoso" entram na arena, milhares de pessoas precisam cruzar o Rio Amazonas. As linhas regulares não dão conta. Fica espaço para a "vantagem", mas também para o perigo, se o barco não for fiscalizado.
O edital busca justamente tirar da ilegalidade quem quer trabalhar honestamente. Com a autorização temporária, a embarcação passa a ter fiscalização da Arsepam e precisa seguir rigorosamente as normas da Autoridade Marítima Brasileira. Isso significa coletes salva-vidas para todos, extintores em dia e tripulação devidamente registrada. Segurança não é luxo na cheia do rio.
Para participar, o operador precisa de CNPJ ativo e estar em dia com o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras (CTF/APP). A lista de documentos inclui também o comprovante de propriedade da embarcação e o certificado de classificação emitido pela Capitania dos Portos. É burocracia, mas necessária.
Quem descumprir as regras ou tentar operar por fora pode ter a embarcação apreendida. A fiscalização promete ser rigorosa nos portos de saída e chegada. O objetivo é evitar que o passageiro escolha o preço mais barato e acabe pagando com a segurança.
Raimundo volta a molhar o rosto no balde para refrescar. "Vou lá na agência hoje mesmo. Não posso perder esse bocado, o negócio tá difícil e o festival é o que salva o ano", afirma. Ele é um dos milhares de motoristas que dependem dessa "janela de oportunidade" criada pelo edital.
Os interessados devem acessar o site oficial da Arsepam para baixar o edital completo e o formulário de inscrição. O processo é digital, mas exige atenção aos detalhes documentais. O telefone da Ouvidoria da Arsepam, (92) 2125-0800, está disponível para tirar dúvidas sobre o preenchimento. O prazo encerra na próxima sexta-feira, dia 15, e não haverá prorrogação.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



