Acre tem 29 ‘Neymar’ e 627 ‘Ronaldo’, mostra Censo 2022
Dados do IBGE revelam que pais acreanos batizaram filhos com nomes de craques como Zidane, Romário e Neymar. A moda pegou nas Copas de 98 e 2002.
Zidane Uillian da Silva Bezerra, de 24 anos, explica a origem do seu nome no portão de casa, no Conjunto Esperança, zona Leste de Rio Branco. Na próxima terça-feira, ele completa 25 anos justamente no dia em que a seleção francesa — time de seu xará — estreia em uma Copa do Mundo. O link não é coincidência: o pai dele torcia para a França em 1998, ano de nascimento do filho, e decidiu homenagear o craque na certidão.
“Meu pai é fanático. Quando a gente ia no cartório ou na escola, sempre tinha alguém perguntando se eu ia dar cabeçada em alguém. Virou marca”, conta o auxiliar administrativo, que hoje trabalha no comércio do centro da capital. A experiência dele não é isolada no Acre. A paixão pelo futebol ultrapassa os gramados do Arena da Floresta e vai direto para os registros civis. Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que pais acreanos usaram o documento para eternizar ídolos do esporte.
O fenômeno mais recente envolve Neymar. O nome do atacante brasileiro, referência nas últimas décadas, aparece 29 vezes no estado. A idade mediana desses portadores é de 11 anos, um dado que revela o timing da homenagem: muitos nasceram no início dos anos 2010, quando o jogador despontava no Santos e na Seleção. No entanto, os campeões de audiência nos cartórios acreanos ainda são os ídolos das Copas de 1998 e 2002. O nome Ronaldo lidera a lista com folga: são 627 registros no Acre. Em seguida aparece Romário, com 457, e depois Rivaldo, com 130.
A diferença de números entre as gerações mostra como a memória do tricampeonato de 2002 ainda é forte na identidade das famílias daqui. Enquanto os nomes da copa da Franca (Zidane) e da era recente do Barcelona (Neymar) aparecem em menor escala, os do ‘Fenômeno’ e do ‘Baixinho’ viraram sobrenome de rua em bairros como o Conjunto Esperança e o Tancredo Neves. Zidane Uillian conta que, na escola estadual onde estudou, havia pelo menos três Ronaldos na mesma sala.
“Tinha Ronaldo do Neymar, Ronaldo do Fenômeno e Ronaldinho. Na hora de chamar, a professora tinha que colocar o sobrenome inteiro senão ninguém ia”, lembra. O levantamento do IBGE aponta que o Acre segue uma tendência nacional, mas com características próprias. Enquanto no Sul do país nomes de jogadores de futebol de salão ou veteranos podem aparecer mais, no Norte a força da seleção brasileira é predominante. Os dados fazem parte da plataforma Nomes no Brasil, que permite consultar a frequência de nomes por estado e município.
Para quem quer conferir se o nome do vizinho ou o do craque favorito é comum na cidade, o IBGE disponibiliza a busca online. A ferramenta é aberta e não exige cadastro. Basta acessar o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e digitar o nome para ver a distribuição por década de nascimento e por unidade da federação.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



