Policial é preso por pilotar viatura em roubo de R$ 50 mi em ouro em Manaus
PF prende policial civil acusado de usar viatura oficial no transporte de ouro roubado em Manaus.
A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça-feira (9) mandado de prisão preventiva contra um policial civil em Manaus, apontado pelas investigações como o responsável por dirigir a viatura oficial utilizada no transporte de ouro roubado. A ação integra a "Operação Piloto de Fuga", deflagrada em conjunto com o Ministério Público do Amazonas (MPAM), com o objetivo de desarticular o núcleo logístico de uma organização criminosa que atua no estado.
Segundo a nota divulgada pela PF, o investigado L.G. atuava diretamente no núcleo operacional da quadrilha, que é formada por agentes de segurança pública estaduais. O grupo é suspeito de praticar o crime de "arrocho", modalidade criminosa que consiste no roubo de carregamentos de ouro pertencentes a outras facções rivais, mediante o uso de violência ou grave ameaça. O valor do minério envolvido na ação que motivou a prisão é estimado em R$ 50 milhões.
Esta nova fase de investigações dá continuidade às diligências iniciadas pela "Operação Auxílio Criminoso", deflagrada no dia 29 de maio. As apurações indicam que a quadrilha utilizava viaturas oficiais e distintivos da Polícia Civil para transportar o ouro furtado, conferindo aparente legalidade ao trânsito do material pela capital amazonense. A tática, segundo a PF, facilitava a evasão de bloqueios e evitava suspeitas durante o transporte do minério até locais de refino ou armazenamento.
Além da prisão de L.G., a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados. Um dos alvos foi o 1º Distrito Integrado de Polícia, onde agentes buscaram documentos e provas que pudessem ligar a estrutura policial à logística do roubo. Periciais devem analisar o uso da viatura oficial e o cruzamento de dados de localização dos policiais no dia dos fatos.
O crime de roubo a cargas de ouro é uma preocupação crescente para as autoridades de segurança no Amazonas, dada a alta valorização do minério e a atuação de facções que disputam o controle da logística de extração e comercialização. O uso de agentes públicos para validar o roubo de uma quadrilha por outra eleva a gravidade da conduta, caracterizando corrupção passiva e concussão, tipificados na Lei de Abuso de Autoridade e no Código Penal.
Procurada, a defesa de L.G. foi contatada, mas não havia se manifestado ou fornecido posicionamento oficial sobre as acusações até o fechamento desta matéria. O policial foi recolhido a estabelecimento prisional determinado pela Justiça Federal para aguardar os trâmites processuais.
A "Operação Piloto de Fuga" permanece em andamento, com a expectativa de novas prisões nos próximos dias. O inquérito, que corre em segredo de Justiça, visa identificar mandantes e demais executores da ação criminosa. A prisão preventiva foi fundamentada pelo risco de que o investigado pudesse interferir nas provas ou continuar a atividade criminosa dada sua função pública.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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