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PF bloqueia R$ 141,7 mi em operação contra fraude em crédito rural no TO

Grupo usava supervalorização de bens como garantia; ex-funcionário de banco é apontado como infiltrado no esquema.

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Diego Câmara
Tocantins · AM
09 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 637 palavras
Agentes da Polícia Federal durante cumprimento de mandado em operação de combate a fraudes financeiras.
Grupo usava supervalorização de bens como garantia; ex-funcionário de banco é apontado como infiltra · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça-feira (9) oito mandados de busca e apreensão em Palmas e no interior do Tocantins no âmbito da Operação Terra Falsa. A ação investigativa, coordenada pela Superintendência da PF no estado, tem como objetivo desarticular uma organização criminosa acusada de fraudar contratos de crédito rural, resultando no bloqueio judicial de R$ 141,7 milhões e US$ 400 mil.

Segundo os autos do inquérito, o grupo atuava na formação de uma estrutura simulada para captar recursos junto a instituições financeiras oficiais e privadas. O modus operandi identificado pela autoridade policial consistia na supervalorização de bens apresentados como garantia, tais como cédulas de produto rural e maquinário agrícola. As investigações indicam que os valores declarados nos contratos superavam em até dez vezes o valor real de mercado dos ativos, gerando um prejuízo potencial às instituições financeiras e, consequentemente, ao sistema de crédito nacional.

Uma peça chave para a execução da fraude seria a atuação de um ex-funcionário de banco. De acordo com a PF, o indivíduo, que ocupava cargo de gerência ou analista, teria acesso privilegiado aos sistemas internos da instituição. A suspeita é de que ele utilizava essa credencial para inserir dados falsos, alterando a classificação de tomadores de crédito. Pessoas sem vínculo agrícola eram enquadradas como produtores rurais, habilitando-os a receberem linhas de financiamento com juros subsidiados, destinadas ao fomento da agropecuária.

A investigação culminou na representação do Ministério Público Federal (MPF) pela prisão preventiva de parte dos investigados, sob o argumento de que a liberdade dos acusados representaria risco à instrução processual e à ordem econômica. A medida, contudo, foi parcialmente acolhida pela 4ª Vara Federal Criminal de Palmas. A magistrada responsável pelo caso indeferiu o decreto de prisão cautelar neste momento, determinando como medidas cautelares suficientes o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias. Entende-se que o congelamento dos valores garante a futura reparação do dano, sem a necessidade de segregação antecipada dos réus.

Os bloqueios atingiram contas correntes, aplicações financeiras e bens imóveis vinculados aos oito investigados. A cotação do dólar para a conversão dos valores bloqueados em moeda estrangeira (US$ 400 mil) considerou o câmbio do dia 8 de junho de 2026, totalizando cerca de R$ 2 milhões adicionais ao montante sequestrado em reais. Os mandados foram cumpridos simultaneamente em pontos estratégicos para evitar a comunicação entre os alvos e a destruição de provas digitais e físicas.

A reportagem buscou o posicionamento dos investigados e de seus respectivos advogados. Até o fechamento desta edição, nenhuma defesa havia oficiado nos autos para responder às acusações formalmente. Também não houve manifestação pública do banco envolvido nas operações fraudadas, apesar de ter sido procurado. As identidades dos suspeitos são mantidas em sigilo, sendo referidos apenas por iniciais e idade nos documentos policiais, conforme prevê o Código de Processo Penal para investigações em fase inquisitorial.

O Tocantins se consolidou nos últimos anos como um importante fronteira agrícola, o que intensificou a demanda por crédito rural no estado. Fiscalizações recentes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU) já haviam alertado para riscos de fraudes em operações de custeio e investimento no Norte do país. O desvio de recursos afeta diretamente o produtor rural legítimo, que sofre com o encarecimento do crédito ou a falta de linhas disponíveis devido ao aumento da inadimplência provocada por esquemas ilegais.

O inquérito policial segue tramitando em sigilo de justiça na 4ª Vara Federal Criminal de Palmas. A PF analisa o material apreendido para identificar a extensão do esquema e a possível existência de outros participantes não identificados na primeira fase da operação. Caso a denúncia do MPF seja aceita, os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, estelionato e falsidade ideológica, com penas que podem chegar a oito anos de reclusão, além de multas e ressarcimento integral dos valores desviados.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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