Vale anuncia R$ 70 bilhões em Carajás: o cobre entra no jogo do Norte
Plano "Novo Carajás" prevê expansão de ferro e cobre em Parauapebas entre 2025 e 2030. Primeiro trimestre de 2026 já foi recorde — 69,7 Mt de minério de ferro, maior volume pra um Q1 desde 2018.

A Vale anunciou no Pará o Projeto Novo Carajás, com investimento previsto de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030. O foco é duplo: ampliar a produção de minério de ferro — onde Carajás já é o maior depósito a céu aberto do mundo — e, principalmente, escalar o cobre, que ganhou peso geopolítico com a corrida da transição energética.
O recorde do Q1
No primeiro trimestre de 2026, a produção de minério de ferro em Carajás totalizou 69,7 Mt (+3% a/a), com vendas de 68,7 Mt (+4% a/a) — o maior volume de um Q1 desde 2018. As unidades de Brucutu (MG) e Long Harbour (Canadá) também bateram recorde no período, mas Carajás puxa o resultado.
Minerais críticos: 201 requerimentos
Levantamento do Repórter Brasil mostra que a Vale lidera a corrida por minerais críticos em Carajás, com 201 requerimentos ativos para cobre, níquel e manganês. Desses, 80 (40%) se sobrepõem a áreas de assentamento rural.
O dado tensiona o discurso de "mineração como vetor de transição". O cobre é matéria-prima de carros elétricos, painéis solares e turbinas eólicas. Mas a mineração em si — abertura de cavas, ferrovia, porto — desloca quem está em cima.
Por que isso importa pra Parauapebas
A cidade já vive de Carajás há quatro décadas. O Novo Carajás dobra a aposta: mais ferro, mais cobre, mais empregos diretos e indiretos, mais arrecadação. E mais conflito por terra. O governo estadual aposta no projeto como vetor de crescimento. Cabe ao município — e às comunidades de entorno — definir os termos do contrato social que vem junto.
Com base em release oficial da Vale, Agência Pará e reportagem do Repórter Brasil.
Redação Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

