Mostra em Belém exibe filmes indígenas vencedores do Amazônia FiDoc
Belém recebe a III Mostra Tekó de Artivismo Indígena, com exibição de filmes premiados no Amazônia FiDoc. O evento destaca a produção audiovisual contemporânea e o protagonismo feminino na região.
Belém se prepara para receber uma celebração importante da cultura ancestral e contemporânea. Nos próximos dias 29 e 30 de maio, a capital paraense sedia a III Mostra Tekó de Artivismo Indígena. O escolhido para abrigar o evento é o Sesc Ver-o-Peso, localizado no coração da cidade. Este espaço é estratégico por sua circulação e importância histórica. A mostra não é apenas uma exibição de filmes, mas um ato de resistência e fortalecimento da identidade dos povos originários. A programação promete mexer com a estrutura cultural da região, trazendo à tona vozes que precisam ser ouvidas.
Cinema com identidade própria
A grande novidade desta edição é a inclusão da 1ª Mostra Audiovisual Esaetá. O foco dela é exclusivamente a produção audiovisual indígena feita nos dias de hoje. Isso significa que o público verá o retrato atual das comunidades, filtrado por seus próprios olhares. Não são observadores externos contando a história, são os próprios indígenas. Para enriquecer a mostra, a organização selecionou curtas-metragens que brilharam recentemente no Amazônia FiDoc. Este festival é uma referência no cenário pan-amazônico. Trazer esses premiados para Belém valida o trabalho realizado pelos cineastas da região.
As Amazonas do Cinema
Dentro da seleção, há um recorte especial que merece atenção: a Mostra As Amazonas do Cinema. Este segmento foi desenhado para destacar o protagonismo feminino. As mulheres indígenas têm um papel fundamental na preservação cultural e, agora, também na narrativa audiovisual. Dois filmes, em particular, representam a força dessa produção. O primeiro deles é "Rami Rami Kirani". Este curta levou para casa o prêmio de Melhor Curta-metragem pelo Júri Oficial. A direção é assinada por Lira e por Luciana Tira Hunikuin. O filme é um convite para adentrar a Aldeia Mibãya. A câmera captura mulheres em momentos de conversa sobre temas sensíveis e vitais, como a espiritualidade e a medicina tradicional. É uma janela aberta para o conhecimento que se perpetua entre gerações.
Conflitos urbanos e identidade
O segundo destaque vai para o filme "Quem Quer?". A responsável pela obra é Célia Maracajá, cineasta e diretora teatral. Este projeto foi o favorito do Júri Popular, levando o prêmio de Melhor Curta-metragem. O formato adotado é o de docudrama experimental. A proposta é ousada ao abordar a realidade de jovens indígenas que vivem fora das aldeias. A trama foca nos conflitos de uma jovem moradora da periferia de Belém. Ela se encontra em um momento de decisão: como afirmar sua identidade indígena enquanto tenta acessar as cotas universitárias? É um debate que toca milhares de famílias na região e que ganha corpo através da arte.
A III Mostra Tekó de Artivismo Indígena é, portanto, um ponto de encontro. É onde a tradição encontra o debate moderno sobre cidadania e direitos. O evento fortalece a cadeia produtiva do audiovisual no Norte. Mais do que isso, ele educa a população local sobre a diversidade que compõe o estado do Pará. A expectativa é que a mostra ajude a ampliar o acesso ao cinema indígena. O fortalecimento dessas produções é o caminho para que a cultura amazônica continue viva e pulsante, tanto na floresta quanto na cidade.
Com base em g1-pa.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


