De R$ 30 ao Rural Show: negócio de temperos cresce em RO
Com um empréstimo de R$ 30, Milena Silva criou um negócio que sustenta a família e agora ocupa espaço na maior feira de Rondônia.
Milena Silva dos Santos vivia o aperto. Com dois filhos pequenos para criar e nenhuma rede de apoio familiar em Rondônia, a busca por emprego formal não rendia resultados. A necessidade falou mais alto e a solução veio através da cozinha. Um empréstimo de R$ 30 foi o mote para iniciar a produção de temperos caseiros naturais. O que começou como estratégia de sobrevivência, sete anos depois, se consolidou como negócio estruturado. Milena agora é uma das expositoras da 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, evento que reúne o que o estado tem de mais forte em produção e comércio.
A saída pela produção artesanal
O cenário inicial era de incerteza. Sem capital de giro e com dívidas básicas como aluguel e energia elétrica para pagar, o empreendedorismo não era uma escolha por luxo, mas por falta de alternativas. Milena relata que o dinheiro inicial veio de um amigo. Com ele, comprou os primeiros ingredientes e iniciou o processo de fabricação dos temperos.
A logística de vendas no começo era rudencial. Sem prática em comércio e sem estrutura física, o crescimento dependia da confiança e do apoio de terceiros. "Fiz uma pequena porção de temperos e ali esse meu amigo começou a me ajudar a vender", conta. É uma realidade comum no interior do Norte: negócios que nascem da força de vontade e da ajuda mútua, muitas vezes fora do radar de estatísticas formais de emprego.
O produto, entretanto, encontrou seu público. A qualidade dos temperos naturais e o diferencial do processo caseiro garantiram a fidelização dos primeiros clientes. O ciclo de reinvestimento — todo o lucro voltava para comprar mais insumos — permitiu que a produção saísse da escala caseira para um volume comercial.
Visibilidade no maior evento de RO
A participação na Rondônia Rural Show Internacional marca uma nova fase para a empreendedora. O evento não é apenas uma feira, mas o principal palco de negócios agrícolas e industriais de Rondônia. Estar lá significa sair da venda de porta em porta ou pelo boca a boca para ocupar um espaço institucionalizado de negociação.
Para pequenos produtores, feiras como esta são vitais. Elas funcionam como uma vitrine para mercados que antes estavam inacessíveis. A presença de Milena como expositora valida o esforço de anos de trabalho. O estande representa o reconhecimento de que a produção local de alimentos artesanais tem espaço em um mercado dominado por grandes indústrias.
Além das vendas diretas, o ambiente da feira propicia trocas de experiência e contato com fornecedores. O networking realizado nesses eventos costuma ser o pontapé para que microempresas comecem a exportar para outros estados ou a fornecer para redes de supermercados.
Potencial da economia local
A trajetória de Milena Silva dos Santos ilustra uma força econômica latente na região Amazônica: a resiliência do pequeno produtor. Em estados como Rondônia, onde a economia gira em torno do agronegócio e da extração, histórias como essa mostram que é possível agregar valor a produtos simples e gerar renda onde o emprego formal escasseia.
O sucesso de um negócio que começou com R$ 30 também desmistifica a ideia de que é preciso muito dinheiro para empreender no Norte. O principal capital, neste caso, foi a força de trabalho e a capacidade de adaptação a momentos de crise. A transformação de temperos caseiros em uma marca consolidada no evento rural mais importante de Rondônia é um exemplo prático de economia circular e fortalecimento da comunidade. Milena saiu da condição de vulnerabilidade para se tornar uma empresária que gera trabalho e movimento financeiro local.
Com base em g1-ro.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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