Café acreano cresce 100% e é liderado por pequenos produtores
Pesquisa do Sebrae revela que 83% das propriedades têm menos de 20 hectares, superando a média nacional e confirmando o potencial do agronegócio local.
O agronegócio no Acre vive um momento de virada. O café, antes coadjuvante, assume agora um papel de destaque na economia local, movimentando municípios e gerando renda. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) trouxe números que comprovam essa mudança de cenário. O levantamento divulgado recentemente não apenas celebra o aumento da produção, mas desenha o rosto de quem faz o agronegócio acontecer no estado: o pequeno produtor.
Uma produção que vem de baixo
Diferente do que se vê em grandes polos cafeeiros do Sudeste, dominados por latifúndios, o modelo acreano é descentralizado e familiar. A pesquisa aponta que 83% dos cafeicultores do estado conduzem suas atividades em propriedades com menos de 20 hectares. Esse dado é fundamental para entender a estrutura fundiária e econômica da região.
Esse percentual é um dos mais altos do Brasil. O único estado que supera o Acre na concentração de pequenos produtores de café é Rondônia, com 87%. Em nível nacional, a realidade é outra: apenas 54% dos produtores brasileiros se encaixam na categoria de pequenos negócios. Isso significa que o Norte, e especificamente o Acre, trilha um caminho próprio, onde a produção se concentra na mão da gente que vive na terra.
O contraste com estados como Minas Gerais e São Paulo é gritante. Lá, predominam os produtores de médio porte, que compõem 38% do total nacional. No Acre, a força está na soma de muitas pequenas propriedades que, juntas, alavancam a economia. A pesquisa do Sebrae entrevistou mais de mil produtores em 14 estados para chegar a essas conclusões, dando robustez ao panorama apresentado.
Tecnologia no campo e perfil experiente
Esse crescimento não acontece no improviso. A produção de café no Acre saltou mais de 100%, um aumento expressivo que exige organização. O levantamento traz à tona o uso de tecnologias modernas para lidar com as exigências ambientais e produtivas. Drones e satélites já são ferramentas utilizadas para apoiar o licenciamento ambiental dos produtores. Isso mostra que o agricultor acreano está se modernizando, buscando a regularização e a eficiência.
Quem comanda essas propriedades tem história. O perfil traçado pelo estudo mostra um produtor experiente. A média de idade é de 49 anos, com até 21 anos de experiência na área. Não são jovens iniciantes, mas agricultores que conhecem o solo, o clima e as dificuldades da região. A maioria tem ensino médio completo, o que indica uma melhora na escolaridade do campo e uma maior facilidade em adotar novas técnicas e gerenciar os negócios.
Valorizar o que é nosso
Os dados reforçam o discurso de valorização da terra e do trabalho local. O café acreano tem potencial de mercado e qualidade, mas o grande trunfo é a sua base produtiva. Investir em estrutura, tecnologia e crédito para esses pequenos produtores é o passo seguinte para manter esse crescimento.
Enquanto o Brasil olha para grandes monoculturas, o Acre demonstra que o caminho da diversidade e da pequena propriedade é viável e lucrativo. A pesquisa do Sebrae não é apenas um retrato estático; é um indicador de que a economia do Norte pode sim ser forte, desde que apoie quem realmente faz a roça girar.
Com base em g1-ac.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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