dom., 24 de mai. de 2026 · manaus 31°c, chuva à tarde
nortıcia
nortícia · boa · pará
Nortícia BoaBioeconomia

O cacau que mantém a floresta em pé — e dá lucro

Em Tomé-Açu (PA), comunidades tradicionais cultivam cacau dentro do sistema agroflorestal, junto com açaí, cupuaçu e banana. Modelo prova que a bioeconomia da Amazônia tem caixa real.

r
Redação Nortícia
Pará · AM
24 de mai. de 2026
publicado
1 min
de leitura · 295 palavras
Em Tomé-Açu (PA), comunidades tradicionais cultivam cacau dentro do sistema agroflorestal, junto com · Foto: Redação Nortícia

No interior do Pará, em Tomé-Açu e nas comunidades ribeirinhas vizinhas, o cacau cresce dentro da floresta. Não substitui mata: convive com ela. O sistema agroflorestal — chamado de SAF — coloca o cacaueiro lado a lado com açaí, cupuaçu, banana e madeireiras nativas. Resultado: produção, sombra, biodiversidade preservada e zero pressão por desmatamento.

Por que isso importa

A bioeconomia amazônica deixou de ser conceito acadêmico. O Pará movimenta R$ 13,5 bilhões por ano com produtos da bioeconomia — açaí, cacau, castanha, óleos vegetais, peixes nativos. É a quarta maior receita do estado, atrás de mineração, pecuária e soja, e cresce mais rápido que todas as outras.

A figura central: as famílias produtoras

Os SAFs de cacau no Pará foram construídos historicamente por agricultores familiares e comunidades ribeirinhas. Casos como o de Dona Nena, produtora ribeirinha do Pará que virou empresária do chocolate fino, mostram a equação que dá certo: floresta em pé + valor agregado local (chocolate, não cacau a granel) + canal de venda direta.

O Pronaf Bioeconomia

Para o ciclo 2025/2026, o Pronaf ampliou as linhas de crédito para bioeconomia. A modalidade Pronaf Bioeconomia entra como instrumento de financiamento para SAFs, beneficiamento local e logística. É a primeira vez que o Pronaf tem uma linha desenhada especificamente para produção amazônica de baixo impacto.

O parceiro internacional

O projeto PRS Amazônia envolve o Ministério da Agricultura, o governo britânico (via DEFRA), o BID e o IABS. Aporta recursos para escalar SAFs em comunidades da Amazônia. É o tipo de capital — paciente, blended, com KPI ambiental — que combina com bioeconomia, e não com soja.

O cacau de Tomé-Açu não é exceção romântica. É prova de conceito.


Com base em CNN Brasil, Amazônia Vox e Jornada Amazônia.

r
◆ Repórter · Nortícia Boa

Redação Nortícia

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Boa

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em boa no Norte. Sem agenda, sem partido.